AGUARDE!!
Nesta semana postagens das práticas realizadas pelos professores da rede municipal de Curitiba.
São 15 práticas organizadas na Coletânia de Relatos curso Arte afro-brasileira no ensino fundamental.
Arte afro-brasileira em sala de aula: da invibialização à lei 10.639/2003 - Marco Oliveira
Arte afro-brasileira no ensino fundamental Daniela Pedrosa
Viva a diferença Norma Kruk Formaggio
O corpo e a arte através da africanidade Simone Cristiane Vanzuita
Revendo a questão racial através da arte curitibana - Gerorgette Rodrigues de Freitas Serbena
Beleza à flor da pele:
Juventude, beleza e Cultura afro-brasileira, sob a ótica da arte
Karla Cristina Grande
Luciana Zabunov Massirer
e Patricia Adriane Elias
Discussões étnico-raciais: uma janela aberta para igualdade
Ana Pierina Schlichta Alves
A capoeira como meio de valorização da cultura afro-brasleira
Danielle Antunes
Do mundo da arte de compreender o mundo: diversidade etnico-racial
Claudia do R. Sant'Ana Alessi
África, uma heronça pouca lembrada
Marlene Klostermann Pacheco
Viva sem preconceito racial
Marci Regina tosato Macioski
O Samba no ensino das artes
Viviane Furlan Fiori
Quem conhece suas raizes desde cedo tem mais segurança
Marli de Loudes Cassoli Stadler
Cada um de nós conta a história do Brasil africano
Aline Papes de Oliveira
PRÁTICAS POSITIVAS AO ALCANCE DE UM CLIQUE
O Colégio Estadual Vinícius de Moraes e o Col. Est. Plínio Alves Monteiro Tourinho disponibiliza trabalhos a partir do projeto IGUAIS NA DIFERENÇA abordando o tema da diversidade etnico-racial, além de outros, com o objetivo de conhecer e respeitar o modo de vida diferentes grupos, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo nas suas histórias semelhanças e diferenças, continuidades e descontinuidades, conflitos e contradições sociais, buscando também atender as leis nº10.639/03 e a 11.645/08.
O blog é organizado pelas professoras Nilza Camilo dos Santos (Col. Est. Plinio) e Patricia dos Santos Bortokoski (Col. Est. Vinícius de Moraes).
As professoras ressaltam que que após o início dos trabalhos em 2010, as escolas e a comunidade escolar estão colhendo resultados positivos da ação. Segundo as professoras é possível perceber um discurso e uma prática de primeiro CONHECER PARA PODER RESPEITAR.
http://paragostardelernaescola.blogspot.com/
Segue a dica de uma das poesias que estão no blog, de autoria do aluno Juliano César Bueno de Araújo / Ensino Médio.
Iguais?
Estamos juntos nessa loucura
Vivendo em condições
De verdadeira tortura,
Estamos juntos nessa cadeia
Presos as violências, as culturas,
As religiões, as obrigações dessa
Teia,
Homens são homens
Mulheres, mulheres
Não há direito de amar com liberdade
Conceitos em forma de algemas
Reprimem a desordem
-Mais que desordem?
Existe amor desordenado?
Não! Se o amor existe é
Pra ser amado.
Quem disse que ser diferente é errado?
Se tão somente sabe-se,
Que vivemos na era social
Do homem dourado,
Basta, chega dessa tortura
Fingindo razão, presos a mitologias
Infundadas dessa loucura,
Somos seres supremos
Mais estamos em decadência
Regredindo para os comportamentos
Animalescos inserenos,
Somos racionais
Não precisamos nos prender
A dogmas existentes no instinto
Dos animais,
Somos inteligentes, não é necessário
Viver nessa loucura,
Somos seres humanos, nosso instinto
É a tortura.
Amor cabe a inseto com inseto
Cabe a animal com anima
Amor cabe a sol com luar
Cabe, sim a céu com mar
Porque não caberia a mulher com mulher
Ou homem com homem?
Se para, para a união é preciso a essência
Do amar é preciso trocar o olhar,
Não existe diferenças, não existe dogmas
Não existe mito fundado sobre
Errada lógica,
Chega dessa loucura!
De separar o branco do preto
A clara da gema
O homem da mulher
O certo do errado
O triste do feliz,
A chuva do sol
As estrelas do dia
Basta, pare essa cirurgia, que fere
E perfura com fina agulha.
Somos seres racionais
Entende- se que não existe
Esse ou aquele para a moral humana
Mais sim o respeito e junção
De diferentes ângulos intelectuais,
Amor é pra ser amado
Homem com mulher
Mulher com homem,
Mulher com mulher
Homem com homem,
Amor não é cadeia, é liberdade
Amor não é hetero ou homo
Amor é divino,
Amor é sinal de igual
Amor é união
A verdadeira face do ser espiritual
Amor, sim, amor somos todos
Um único sinal
Uma única essência
Um único sentimento
Amor,
As cadeias precisam ser quebradas
Enfim todos podemos amar
Sem medo das açoitadas
Dos homens sem nada,
Sabemos agora,
Que diferença, só existe
Na memória
Sabemos então,
Que estamos ligados
pelo ( enleio) da paixão ...
Parte integrante da REVISTA BRASIS AFRO
foto: Eli Antonelli
E A MATEMÁTICA? ONDE ESTÁ?
Laços e traços da matemática no ensino da cultura africana
A lei 10.639/2003 abre infinitas possibilidades de ser aplicada nas mais variadas disciplinas, uma das estratégias de sucesso é o caráter multidisciplinar com o qual as atividades podem ser elaboradas, fazendo com que o estudante obtenha um conhecimento mais amplo e com maior compreensão dos diversos assuntos que podem ser abordados nas disciplinas. Com foco nisso o corpo docente e direção da Escola Técnica Estadual Newton Sucupira da Bahia aceitou o desafio proposto pela professora de matemática, Eliete Ferreira dos Santos, de desenvolver um projeto que buscasse englobar matemática, artes, português, redação e geografia. O foco era destacar a contribuição da cultura africana para o desenvolvimento da Matemática e a partir disso construir gráficos, analisando e interpretando dados após realização de pesquisas na comunidade escolar.
O projeto foi realizado por meio do conhecimento adquirido durante a formação no Centro de Estudos Afro-orientais do Programa Preparatório para promoção da Igualdade etnicorracial no departamento de Educação da Univesidade Federal da Bahia, em 2006.
A professora partiu do pressuposto que o estudante da Escola Pública não apresenta uma perspectiva de futuro. Desta forma, o projeto buscou despertar nos jovens o seu valor no contexto de formação dentro da sociedade enquanto negro e afro-descendente: “Vivemos num país multicultural, que é uma característica do nosso povo. Porém, as discussões relativas ao multiculturalismo só assumem a sua devida posição com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1997, que instituíram como um dos temas transversais, a pluralidade cultural. Vale ressaltar que os PCN representam um avanço no que diz respeito às discussões que envolvem uma educação multicultural no Brasil”, argumenta a professora.
Para Eliete, o aluno da escola pública de um modo geral, não reconhece sua identidade racial, cultural, social e pessoal. “Sua auto-estima é fragilizada e a escola não o prepara para trabalhar com os desafios que surgem em decorrência dessa lacuna”, destaca. A partir dessa análise, a professora concluiu que os estudantes não se situam dentro de um povo formador da cultura afro-brasileira, sentindo-se discriminados, sem auto-estima e alienados de sua importância na sociedade. Daí o valor de desenvolver esse trabalho na Escola Newton Sucupira, que está localizada numa região bastante carente de Salvador, no bairro Mussurunga. “Nós, educadores, devemos procurar através de atividades relacionadas à consciência e valorização da raça negra, combater a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, as quais trazem a marca do preconceito, da exclusão, das desigualdades sociais que afasta e estigmatiza os grupos sociais. Em função de tudo isso, o estudante tem sua auto-estima fragilizada o que reflete um comportamento muitas vezes agressivo no âmbito escolar e fora dele”, raciocina ela.
Para Eliete, a auto-estima é fundamental para o pleno desenvolvimento do indivíduo, podendo levá-lo a ser de fato um cidadão e a se perceber como um ser uno e macro em um universo plural. “Valorizar o que ele é, o que ele pensa e faz, é o primeiro passo da escola para que o aluno possa encontrar sua identidade pessoal e cultural, fortalecendo suas relações interpessoais com o mundo ao seu redor”, destaca.
A estudante Dione da Silva participou do projeto em 2006 e foi uma das alunas mais dedicadas nas atividades práticas. Por conta da gravidez, Dione deixou os estudos e retornou em 2010. Hoje, aos 21 anos, a jovem conta que participar do projeto foi sem dúvida uma das experiências mais significativas que teve no Colégio: “Foi um momento de integração, que todos os alunos participaram e se entregaram à pesquisa e à prática das várias temáticas africanas”.
Dione relembra que a proposta lançada pela professora Eliete foi muito bem aceita pelos alunos. “A turma foi dividida em grupos e cada um ficou responsável por pesquisar determinado tema e fazer a prática que seria apresentada numa feira para o público geral. Uma das coisas que mais gostei foi o trançado de cabelo, eu já fazia nas minhas bonecas quando criança, mas foi interessante entender o processo e fazer o trançado nas alunas do Colégio. Cheguei a ficar de madrugada fazendo as tranças na casa das minhas amigas, para as oito horas do dia seguinte estar no Colégio e dar sequência a todo o trabalho da feira”, conta.
O trabalho permitiu a Dione conhecer as mais diversas manifestações culturais do continente africano. “Aprendi muito com toda a nossa pesquisa e envolvimento, não chegamos a estudar todos os países, pois são muitos, mas os que estudamos deu para ter uma ideia interessante e diferente da África”, destaca. Uma das coisas que mais chocou a jovem foi o contraste da existência de países com mais recursos na África, pessoas realmente ricas e alguns em situação de miséria: “Não dá para entender ainda como alguns têm tantos e outros quase ou praticamente nada”, enfatiza.
Nova proposta em 2010
A partir dos bons resultados com o projeto Gestar de 2006, a Escola resolveu novamente apostar no trabalho da professora e, mais uma vez, um programa dentro dos mesmos parâmetros está em desenvolvimento com o nome “Em Busca da Identidade”. “O objetivo é aplicar trazendo elementos da interdisciplinaridade no diálogo entre as disciplinas envolvidas, mais uma vez como Português, Redação, Artes, Geografia e Matemática desenvolvendo atividades próprias da matemática ligadas às demais, momento em que as parcerias são fundamentais para que o aluno perceba a interação entre as diversas áreas do conhecimento”, comenta Eliete.
A professora irá incentivar os alunos a não só refletirem sobre padrões vigentes na sociedade relacionados a cor, beleza, sexualidade que influenciam na formação do indivíduo de forma negativa, como também a identificarem a presença da cultura africana nas manifestações culturais do povo brasileiro como na literatura, música, culinária, pintura, entre outras. “O foco é esta identificação, é observar a presença das mais diversas manifestações culturais de matriz africana. Este projeto de valorização e identidade dos afro-descendentes servirá para que o aluno possa sentir-se valorizado enquanto cidadão e lute pelo seu espaço na sociedade para que a desigualdade entre negros e brancos venha deixar de acontecer”
Eliete acredita na importância do trabalho e na mudança que ele vem trazendo para seus alunos, contribuindo na eliminação das desigualdades e no reconhecimento da identidade do negro. “Diante de tanta luta e resistência pela valorização e auto-estima, podemos citar que a nossa Constituição no seu artigo 5º afirma que todos somos iguais perante a Lei. Porém isso não acontece, pois o negro continua sendo discriminado e esta desigualdade nada mais é do que uma verdadeira desigualdade”, avalia.
Mudar a situação de desigualdade e o ranço que permanece ainda sobre a população negra é um dos objetivos a ser atingido com o trabalho da Lei 10.639/03: “A legislação veio para modificar o grande ranço que permanece no meio de nós e só esta geração poderá transformar este sonho em realidade, pois ela reforça a perspectiva de uma educação multicultural voltada para a ampliação do acesso à informação sobre a diversidade da nação brasileira”, afirma.
Laços e traços da matemática
E A MATEMÁTICA? ONDE ESTÁ?
Ø na coleta de dados;
Ø na construção de gráficos (percentagens);
Ø na confecção das máscaras (formas geométricas e simetria);
Ø na música (métrica, solfejo, tempo);




